TEXTOS

Por: Projeto Gema

1. Alùjá

Texto que acompanha a reza de abertura do álbum, que invoca Ogum, Exu e os ancestrais.

2. Reza (Ógún pàdé wa)

Reza cantada em iorubá que saúda Ogum e pede sua proteção. Trazida pelo Alabê Diih Neques Olákùndé, é uma das principais rezas do candomblé de batuque.


TEXTOS

A música é um dos pilares da cultura de matriz africana. A cadência dos tambores, o som dos agogôs e agês, a vibração do xequexê e a melodia das palmas ... todos esses elementos não apenas acompanham, mas são parte essencial das rezas, celebrações e rituais.

Os textos e orações que se seguem foram extraídos e traduzidos do álbum Alùjá – Diih Neques Olákùndé, uma obra que mergulha na espiritualidade e na tradição dos terreiros de batuque do Rio Grande do Sul. As rezas cantadas são em iorubá, e estão aqui acompanhadas de sua tradução e contextualização, para que possam ser compreendidas em sua profundidade por todos os públicos.

REZA

Ógún wà níbì o

Ógún pàdé wa o

Ógún wà níbì o

Ógún pàdé wa o

Ibà Olódùmarè

Ibà Ógún

Ibà Ògún alágbára

Ibà Ògún onínà

Ibà Ògún alákétu

Ibà Ògún alágbède

Ibà Ògún alágbára ńlá

Ógún wà níbì o

Ógún pàdé wa o

Ógún wà níbì o

Ógún pàdé wa o

Tradução:

Ogum está aqui

Ogum vem ao nosso encontro

Ogum está aqui

Ogum vem ao nosso encontro

Salve o Criador

Salve Ogum

Salve Ogum o poderoso

Salve Ogum dos caminhos

Salve Ogum dono das florestas

Salve Ogum ferreiro

Salve Ogum de grande poder

Ogum está aqui

Ogum vem ao nosso encontro

Exu Odara

Exu Odara

Exu Odara

Exu Odara

Exu alágbára

Exu onínà

Exu alákétu

Exu Odara

Exu alágbède

Exu Odara

Tradução:

Exu o belo

Exu o belo

Exu o belo

Exu o belo

Exu poderoso

Exu dos caminhos

Exu dono das florestas

Exu o belo

Exu ferreiro

Exu o belo

Xangô

Xangô alágbára

Xangô onínà

Xangô alákétu

Xangô alágbára ńlá

Xangô alágbárá

Tradução:

Xangô poderoso

Xangô dos caminhos

Xangô dono das florestas

Xangô de grande poder

Xangô poderoso

Iemanjá

Iemanjá alágbára

Iemanjá onínà

Iemanjá alákétu

Iemanjá alágbára ńlá

Tradução:

Iemanjá poderosa

Iemanjá dos caminhos

Iemanjá dona das florestas

Iemanjá de grande poder

Ògún wà níbì o

Ògún pàdé wa o

Ògún wà níbì o

Ògún pàdé wa o

Ibà Olódùmarè

Ibà Ógún

Ibà Exu

Ibà Xangô

Ibà Iemanjá

Ibà Orixá

Tradução:

Salve o Criador

Salve Ogum

Salve Exu

Salve Xangô

Salve Iemanjá

Salve os Orixás

A reza continua com saudações a Exu, Xangô, Iemanjá e outros orixás, demonstrando a riqueza do panteão africano e a força da oralidade nos terreiros de batuque. Cada linha carrega um significado espiritual profundo, conectando os fiéis às divindades por meio do som e da palavra.

No Alùjá, essas rezas são entoadas com o acompanhamento dos tambores sagrados — o ilú, o aganju, o agogô e o agê — criando uma atmosfera que transcende o físico e toca o divino. A preservação desses cantos é fundamental para a manutenção da identidade cultural das comunidades de terreiro no Rio Grande do Sul.


OFERENDAS · ROCAS

As oferendas e roças são elementos centrais nos rituais de matriz africana. No batuque gaúcho, a preparação dos alimentos sagrados e a disposição dos objetos nos assentamentos seguem regras transmitidas oralmente há gerações. Cada ingrediente, cada folha, cada cor carrega um significado que dialoga com os orixás e com a natureza.

No Alùjá, Diih Neques Olákùndé resgata essas práticas e as apresenta em forma de texto e música, permitindo que as novas gerações conheçam e respeitem a tradição. As roças — pequenas plantações sagradas — são cultivadas dentro dos terreiros como forma de manter viva a conexão com a terra e com as divindades da natureza.

As oferendas incluem milho, feijão, azeite de dendê, mel, frutas, e são preparadas com cantos específicos para cada orixá. O cuidado na preparação é uma forma de respeito e devoção, e cada gesto é acompanhado de rezas que potencializam a energia do ritual.

Este texto, assim como os demais, foi extraído do material do álbum Alùjá e contextualizado para o público em geral, contribuindo para a difusão da cultura afro-brasileira e da importância dos terreiros como espaços de resistência e preservação cultural.


SAGRADO

O sagrado, nas religiões de matriz africana, não está separado do cotidiano. Ele se manifesta na música, na dança, na comida, nas cores e nos gestos. Cada elemento do terreiro é carregado de axé — a força vital que move o universo.

No Alùjá, a dimensão sagrada é explorada através das letras das rezas e dos toques, que convidam os ouvintes a uma imersão espiritual. As palavras em iorubá, muitas vezes incompreensíveis para quem não domina o idioma, carregam uma força que transcende a tradução literal. São vibrações que conectam o humano ao divino.

O projeto Gema, ao registrar e difundir esses textos, contribui para a valorização do patrimônio imaterial do Rio Grande do Sul e do Brasil. O batuque, como expressão religiosa e cultural, enfrenta ainda hoje preconceitos e invisibilidade. Iniciativas como esta ajudam a romper barreiras e a promover o respeito à diversidade religiosa.

Este texto, assim como os demais, foi extraído do material do álbum Alùjá e contextualizado para o público em geral, contribuindo para a difusão da cultura afro-brasileira e da importância dos terreiros como espaços de resistência e preservação cultural.


INSTRUMENTOS

Os instrumentos musicais são parte fundamental do ritual no batuque. Cada tambor, cada chocalho, cada sino possui uma função específica e um espírito próprio. O ilú é o tambor principal, responsável por conduzir as rezas e marcar o ritmo das danças. O aganju é o segundo tambor, que complementa o toque do ilú. O agogô é um sino duplo que pontua as melodias, e o agê é um chocalho feito de cabaça revestido por uma rede de contas, que produz um som característico.

Além desses, o xequexê também é utilizado, assim como a maraca (mbaraka) de origem guarani, mostrando a integração entre as culturas africana e indígena no Rio Grande do Sul.

A confecção dos instrumentos segue rituais específicos. O couro do tambor é tratado com ervas e cantado antes de ser esticado. As contas do agê são consagradas aos orixás. Cada detalhe é pensado para que o instrumento se torne um veículo de axé.

No Alùjá, os instrumentos não são apenas acompanhamento: eles são personagens da obra. Cada toque foi composto respeitando as tradições dos terreiros, e as gravações buscaram capturar a sonoridade autêntica dos instrumentos sagrados.

Conhecer esses instrumentos é também conhecer a história e a espiritualidade dos povos que os criaram. O Projeto Gema, ao longo de sua pesquisa, documentou não apenas os sons, mas também o saber dos mestres que constroem e tocam esses instrumentos, garantindo que esse conhecimento continue vivo.