Patrimônio Musical Gaúcho: Pesquisa, Registro e Preservação

A diversidade musical do Rio Grande do Sul forma um patrimônio imaterial de valor inestimável. Esta página oferece um panorama das iniciativas de pesquisa, documentação e salvaguarda que vêm mapeando e protegendo as raízes musicais do estado.

A trajetória das pesquisas musicais no Rio Grande do Sul

O interesse sistemático pelas expressões musicais gaúchas remonta ao final dos anos 1940, quando Paixão Côrtes e Barbosa Lessa: pioneiros percorreram o estado em expedições de coleta de melodias, danças e costumes. Esse trabalho de campo resultou em registros fundamentais para a compreensão das tradições musicais do Sul do Brasil.

Na década de 1970, a gravadora Discos Marcus Pereira e Música Popular do Sul deu continuidade a esse esforço ao lançar a série “Música Popular do Sul”, que documentou em disco manifestações de comunidades rurais, quilombolas e indígenas, consolidando um acervo sonoro de referência.

Mais recentemente, o mapeamento das fontes e métodos de pesquisa musical gaúcha tem sido aprofundado por universidades, centros de memória e projetos independentes, ampliando o conhecimento sobre a riqueza e a pluralidade das práticas musicais do estado.

O reconhecimento do patrimônio imaterial e o papel do IPHAN

A noção de patrimônio imaterial, formalizada no Brasil pelo Decreto nº 3.551/2000, abriu caminho para que bens culturais como o batuque, o chamamé, a milonga e o vanerão pudessem ser candidatos a registro como patrimônio cultural brasileiro. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) é o órgão responsável por instruir e acompanhar esses processos.

O Projeto Gema recebeu em 2018 Menção Honrosa no Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade, concedido pelo IPHAN, exatamente por sua contribuição à salvaguarda do patrimônio imaterial musical gaúcho. A iniciativa foi também finalista do Prêmio Brasil Criativo (2016), evidenciando o valor da pesquisa musical para a economia criativa.

O registro de um bem imaterial não apenas reconhece sua importância cultural, mas também estabelece diretrizes para sua preservação, transmissão e revitalização junto às comunidades detentoras.

Iniciativas contemporâneas de documentação musical

O projeto Alùjá como iniciativa de registro representa um marco na documentação musical contemporânea do Rio Grande do Sul. Idealizado por Diih Neques Olákùndé, o álbum Alùjá registra toques e rezas do batuque gaúcho, unindo tradição e produção fonográfica de alta qualidade.

Outra frente importante é a temporada 1 da websérie Gema, que em dez episódios percorre diferentes regiões do estado apresentando mestres, comunidades e gêneros musicais, com produção de podcasts, textos e fotografias. Esse material compõe um levantamento amplo das raízes musicais do RS – descrito pela própria equipe como o maior já realizado desde os trabalhos de Paixão Côrtes e Barbosa Lessa.

Além das gravações em áudio e vídeo, o projeto mantém um acervo digital de partituras, textos etnográficos e entrevistas, disponível para consulta pública, fortalecendo a memória musical gaúcha.

Explorar mais sobre o tema

Paixão Côrtes e Barbosa Lessa: pioneiros

Conheça a trajetória dos dois pesquisadores que iniciaram o levantamento sistemático da música tradicional gaúcha nos anos 1940.

Discos Marcus Pereira e Música Popular do Sul

A série que documentou em disco as manifestações musicais do Sul do Brasil na década de 1970, com destaque para as gravações de campo.

Métodos e fontes de pesquisa musical gaúcha

Um guia sobre as abordagens, arquivos e referências utilizadas por pesquisadores da música regional gaúcha.

Alùjá: registro do batuque gaúcho

O álbum que documenta toques e rezas de terreiro, conectando a espiritualidade africana à identidade musical do RS.

1ª Temporada da websérie Gema

Os dez episódios que percorrem o Rio Grande do Sul em busca de suas expressões musicais mais autênticas.