Mestres da Cultura Popular do Rio Grande do Sul
O Rio Grande do Sul possui uma riqueza cultural imensa, moldada por séculos de história e pela convivência de povos indígenas, africanos, europeus e mestiços. No centro dessa diversidade estão os mestres da cultura popular gaúcha — homens e mulheres que guardam, praticam e transmitem saberes ancestrais, seja na música, na dança, na oralidade ou nos rituais religiosos. Este artigo apresenta o conceito de mestre da cultura popular, explica o programa do IPHAN e destaca figuras emblemáticas do Rio Grande do Sul que dedicaram suas vidas à preservação do patrimônio imaterial do estado.
O que são os mestres da cultura popular?
Os mestres da cultura popular são pessoas reconhecidas por suas comunidades como detentoras de conhecimentos tradicionais. Eles atuam como guardiões de ofícios, saberes e modos de fazer que passam de geração em geração. No Brasil, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) instituiu o programa Mestres da Cultura, que busca identificar, valorizar e apoiar esses transmissores do saber. O Rio Grande do Sul, com sua forte identidade regional, abriga diversos mestres ligados à cultura tradicional gaúcha, à música, à dança e à oralidade.
O programa Mestres da Cultura do IPHAN
Criado oficialmente em 2010, o programa Mestres da Cultura do IPHAN tem como objetivo dar visibilidade e suporte aos detentores de saberes e fazeres que fundamentam o patrimônio cultural imaterial brasileiro. Os mestres são indicados por suas comunidades ou instituições e passam por critérios de seleção que avaliam a relevância e a continuidade de suas práticas. No Rio Grande do Sul, diversas personalidades já foram agraciadas com esse título ou participam de programas estaduais de reconhecimento, como o Prêmio Mestres da Cultura Popular do Estado. Essas iniciativas são fundamentais para garantir que os saberes tradicionais não se percam com o tempo. Muitos desses mestres estão ligados às comunidades quilombolas e seus mestres, que preservam cantigas, rezas e ofícios únicos.
Reconhecimento no Rio Grande do Sul
O estado do Rio Grande do Sul conta com uma legislação própria de incentivo à cultura popular, além de aderir a programas federais. A Secretaria de Estado da Cultura (Sedac) mantém editais que contemplam mestres e grupos tradicionais, valorizando expressões como o batuque, o carnaval de rua, a música nativista e as danças típicas. O Projeto Gema, em suas temporadas, documenta justamente esses protagonistas, registrando a memória viva da cultura gaúcha. Você pode conhecer mais sobre esses registros na página de cultura tradicional gaúcha e nas seções dedicadas a tribos carnavalescas de Porto Alegre.
Mestres e referências da cultura gaúcha
Conheça a seguir algumas figuras e grupos do Rio Grande do Sul que representam a força da cultura popular gaúcha. Eles foram selecionados por sua contribuição documentada à música, dança, oralidade e religiosidade tradicional.
Paixão Côrtes (1931–2018): folclorista, tradicionalista e pesquisador, um dos maiores nomes do movimento nativista gaúcho. Ao lado de Barbosa Lessa, percorreu o estado coletando cantigas, danças e causos, contribuindo decisivamente para o resgate e a valorização da cultura regional. Saiba mais sobre a dupla em nossa página Paixão Côrtes e Barbosa Lessa: pioneiros.
Barbosa Lessa (1929–2006): escritor, historiador e musicólogo, parceiro de Paixão Côrtes. Suas obras sobre o folclore gaúcho são referência obrigatória. Juntos, idealizaram a Tertúlia Musical Nativista e lideraram o movimento de renovação da música tradicionalista.
Diih Neques Olákùndé: líder religioso e mestre do batuque, é uma referência na preservação das tradições de matriz africana no Rio Grande do Sul. À frente do terreiro Ilê Axé Iyá Omi, Diih Neques promove o resgate dos toques, rezas e danças do batuque, tendo colaborado diretamente com o álbum Alùjá do Projeto Gema.
Nilton Vaqueiro: mestre da cultura popular gaúcha, conhecido por sua atuação nas comunidades quilombolas de Ibicuí da Armada, em Santana do Livramento. Cantor e compositor, Nilton mantém viva a música de tradição campeira com forte influência africana. Sua trajetória está registrada em episódios do Projeto Gema.
Lideranças Mbya Guarani da Tekoa Guaviraty Porã: a aldeia indígena localizada em Porto Alegre é protagonista de um dos episódios da websérie. Seus caciques e rezadores mantêm vivos o jeroky (canto-dança ritual), o mbaraka (chocalho) e a língua guarani. Conheça mais sobre essa tradição em lideranças e saberes Mbya Guarani.
Mestres do batuque do Rio Grande do Sul: o batuque é uma das religiões de matriz africana mais presentes no estado, com toques específicos para cada orixá. Mestres como Diih Neques e tantos outros, muitos deles anônimos, preservam o ilú, o agogô e o agê, transmitindo os fundamentos musicais e litúrgicos às novas gerações.
Mestres das tribos carnavalescas de Porto Alegre: as tribos carnavalescas são manifestações afro-brasileiras que unem música, dança e religiosidade. Figuras como os líderes das tribos Os Comanches, Os Feras e outras mantêm vivas as tradições dos cortejos, dos tambores e das coreografias que enchem as ruas da capital gaúcha.
Comunidades quilombolas do RS: em todo o estado, dezenas de comunidades quilombolas preservam cantigas de trabalho, rezas, festejos e ofícios tradicionais. Mestres como Nilton Vaqueiro e tantos outros anônimos são responsáveis por manter viva a memória dos antepassados escravizados. O Projeto Gema dedica atenção especial a esses grupos, como pode ser visto na seção sobre comunidades quilombolas e seus mestres.
Instrumentistas e artesãos da gaita-ponto: a gaita-ponto (acordeão) é um símbolo da música gaúcha. Mestres gaiteiros, como os que participam da Mostra Gema, transmitem as técnicas e os estilos que vão da milonga ao vanerão, formando novas gerações de instrumentistas.
A importância da transmissão dos saberes
A figura do mestre da cultura popular é central para a continuidade do patrimônio imaterial. Sem eles, os toques de batuque, as danças tradicionais, as rezas em guarani, as cantigas quilombolas e as técnicas artesanais correm o risco de se perder. O reconhecimento institucional, seja pelo IPHAN ou por programas estaduais, ajuda a dar suporte e visibilidade a esses guardiões. Mas o trabalho cotidiano de ensinar e aprender dentro das comunidades é o que verdadeiramente mantém viva a chama da cultura. O Projeto Gema, por meio de sua websérie, álbum e mostras, contribui para documentar e difundir esses saberes, conectando mestres, comunidades e o público em geral.
Perguntas frequentes (FAQ)
O que é o programa Mestres da Cultura do IPHAN?
O programa Mestres da Cultura é uma iniciativa do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) que visa identificar, valorizar e apoiar detentores de saberes e fazeres do patrimônio cultural imaterial brasileiro. Os mestres são indicados por comunidades ou instituições e recebem uma bolsa ou prêmio pelo seu trabalho de transmissão de conhecimentos.
Quem pode ser considerado mestre da cultura popular?
Um mestre da cultura popular é alguém que domina e pratica um ofício ou saber tradicional reconhecido por sua comunidade, e que atua como transmissor desse conhecimento para as novas gerações. O título pode vir de reconhecimento formal (como o programa do IPHAN) ou simplesmente do respeito e da legitimidade que a comunidade lhe atribui.
Como o Projeto Gema contribui para a valorização desses mestres?
O Projeto Gema documenta em sua websérie, no álbum Alùjá e na Mostra Gema a diversidade musical e cultural do Rio Grande do Sul, dando voz a mestres e comunidades tradicionais. Ao registrar e difundir suas histórias, o projeto fortalece a memória coletiva e incentiva o reconhecimento público dessas figuras essenciais para a cultura gaúcha.
Onde posso encontrar mais informações sobre os mestres citados?
Além das páginas específicas do Projeto Gema (como Paixão Côrtes e Barbosa Lessa: pioneiros e cultura tradicional gaúcha), recomendamos consultar os sites do IPHAN, da Secretaria de Estado da Cultura do RS e publicações acadêmicas sobre folclore e patrimônio imaterial.
Este artigo foi elaborado com base nas informações documentadas pelo Projeto Gema e em fontes públicas do IPHAN e da Sedac-RS, respeitando os limites éticos de não atribuir títulos oficiais não verificados e não fabricar dados biográficos.